quinta-feira, 26 de outubro de 2006

É tempo de mudar...



Eu sou apegada... às coisas, às pessoas, às situações...

Como qualquer boa mortal, não consigo me desvenciliar das cordas que me prendem às minhas escolhas.

Mas essas escolhas na verdade não são minhas, elas são apenas consequências absurdas do desenrolar do fio da vida.

Essas serão as minhas metáforas, porque estou atada ao desmando de existir e não entender nada da minha existência.

Aos poucos, tudo me é tirado. É claro que novas coisas surgem, mas daquilo que sou eu, pouco sobra.

Então fico assim, amordaçada e atada em sentimentos nauseantes, em dores latejantes, com o corpo implorando pelo que não existe mais em mim.

Viver dói... e muito.

segunda-feira, 2 de outubro de 2006

Sentia um acréscimo de estima por si mesma... *

É impressionante como precisamos de acontecimentos externos para melhorar nosso interior.
Haja yoga, spinning, cabeleireiro, jogo de futebol ou qualquer evento que possa surtir o efeito de fazer com você se sinta bem.
É claro que não deveria ser assim. Deveríamos já ter transcendido esse estágio

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Depois de nada ter a escrever, continuo divagando sobre minha fugaz existência nessa galáxia estranha.
A cada dia diminui minha capacidade de comunicação com os outros e há algum tempo comecei a desconfiar de que minha "prolixidade" atrapalha em muito minhas conversas. Explico:
Falo demais, pelos cotovelos, mãos e boca... Imagino que as pessoas só escutam as duas primeiras frases e todo o resto é uma boca movendo-se muda.
Aí eu falo durante 20 minutos e o pobre interlocutor só escutou o começo e não tem nem idéia do que eu falei durante aquele tempo todo.

Tomar nota: diminuir a intensidade da fala e o tamanho das sentenças.

sábado, 23 de setembro de 2006

Chuva




Dia de chuva e nenhuma inspiração.
O tempo passou e eu continuo igual, inerte, pensando em tudo que gostaria de fazer e não faço.
Penso em todas as pessoas interessantes que eu conheci e gostaria de manter contato: lembrei até de uma moça peruana que trabalhava com turismo e tinha um filho deficiente, que eu conheci no albergue de Florença.

Aí lembro que não liguei nem para a minha prima para agradecer o convite de casamento.
Não adianta pensar em coisas que nunca serão feitas, já está mais do que na hora encarar quem eu sou e agir apenas no sentido do que realmente importa.

Só darei nome ao gato quando tiver me organizado...

É só parar de procrastinar...

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Mudança



Parece que foi ontem e, na verdade, já faz um ano.
Aqui estou eu, novamente, arrumando as malas (e as tralhas). A nescessidade de sair é a mesma, a pressa em descartar o que não mais me pertence, o que não sou mais eu.
Confesso que, nesses processos de me desfazer de objetos que não têm mais utilidade, pouco está sobrando de mim.

Preciso me re-compor, e daí a urgência em ir embora.
Eu vim para a Cidade Maravilhosa em busca de um sonho que não se concretizou, mas, pelo que ganhei em troca, acho que valeu a pena. Foi preciso muita coragem para vir, e o dobro para ir embora. Assumir que não comporto esse universo, que a minha terra ainda é o melhor lugar para estar.
Pelo menos agora. O tempo sempre me enganou e nessa ilusão construí meus anseios. Ao vê-los desmoronar, percebi que preciso do concreto, palpável e denso.
A tão almejada fluidez e leveza ainda não é para mim.

Então, arrumo as malas e aguardo...

quarta-feira, 22 de março de 2006

She's a star

Whenever she’s feeling empty
Whenever she’s feeling insecure
Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore
Her shadow is always with her
Her shadow will always keep her small
So frighten that he wont lover her
She builds up a wall

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she’s nowhere to hide in the dark

She’s a star

She’s been in disguise forever
She’s tried to disguise her stellar views
Much brighter than all this static
Now she’s coming through

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she’s nowhere to hide in the dark
She’s a star

Don’t tell her to turn down,
Put on your shades if you can’t see,
Don’t tell her to turn down,
Turn up the flame.
She’s a star

It’s a long road
It’s a great cause
It’s a long road
Its a good call
You got it,
You got it,

She’s a star


James - She’s a star

Pop





“Algumas das minhas canções favoritas: (...) e algumas destas canções eu ouvi cerca de uma vez por semana, em média (300 vezes no 1º mês, e de vez em quando depois disso), desde os 16 ou 19 ou 21 anos de idade. Como é que isso pode não transforma-lo no tipo de pessoa passível de se quebrar em pedacinhos quando seu primeiro amor dá todo errado? O que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Esses discos todos transformam você numa pessoa melancólica?
As pessoas se preocupam com o fato das crianças brincarem com armas e dos adolescentes assistirem a vídeos violentos; temos medo de que assimilem um certo tipo de culto à violência. Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeição e dor e infelicidade e perda. As pessoas afetivamente mais infelizes que conheço são as que mais gostam de música pop; e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo vidas infelizes.”

Nick Hornby - Alta Fidelidade

terça-feira, 21 de março de 2006

As Kamikazes

Há muito tempo atrás, a Companhia de Atores apresentou essa peça de teatro, chamada "As Kamikazes". É claro que amei o título, mas como não sou muito de teatro, não me interessei. Quando soube do que realmente se tratava, a peça estava em suas últimas apresentações. Perdi, mas ao mesmo tempo o pequeno resumo que li no jornal serviu para que eu visualizasse a peça e a amasse como se a conhecesse de cor. Aliás, muito da minha vida é feito de lembranças de acontecimentos que eu não vivi. Não sei explicar o porque, mas é assim. Eu já conhecia Florbela e Ana C., mas não Sylvia e Alejandra. E esta era uma peça sobre essas fantásticas poetisas suicidas, e acabou sendo responsável pela minha paixão por cada uma delas.



A MINHA TRAGÉDIA
FLORBELA ESPANCA

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste, noutra vida,
Trago em meus lábios roxos a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

LUVAS DE PELICA
ANA CRISTINA CÉSAR
Estou muito compenetrada no meu pânico.
Lá de dentro tomando medidas preventivas.
Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu
único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro.
Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido
de você e não me assusto; dorme, dorme.
Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
NOCHE
ALEJANDRA PIZARNICK

Tal vez esta noche no es noche,
debe ser un sol horrendo, o
lo otro, o cualquier cosa...
¡Qué sé yo! Faltan palabras,
falta candor, falta poesia
cuando la sangre llora y llora!

¡Pudiera ser tan feliz esta noche!
Si sólo me fuera dado palpar
las sombras, oír pasos,
decir "buenas noches" a cualquiera
que pasease a su perro,
miraría la luna, dijera su
extraña lactescencia tropezaría
con piedras al azar, como se hace.

Pero hay algo que rompe la piel,
una ciega fúria
que corre por mis venas.
¡Quiero salir! Cancerbero del alma
¡Deja, déjame transpasar tu sonrisa!

¡Pudiera ser tan feliz esta noche!
Aún quedan ensueños rezagados.
¡Y tantos libros! ¡Y tantas luces!

¡Y mis pocos años! ¿Por qué no?
La muerte esta lejana. NO me mira.
¡Tanta vida Señor!

¿Para qué tanta vida?

LOVE LETTER
SYLVIA PLATH

Not easy to state the change you made.
If I'm alive now, then I was dead,
Though, like a stone, unbothered by it,
Staying put according to habit.
You didn't just tow me an inch, no—
Nor leave me to set my small bald eye
Skyward again, without hope, of course,
Of apprehending blueness, or stars.

That wasn't it. I slept, say: a snake
Masked among black rocks as a black rock
In the white hiatus of winter—
Like my neighbors, taking no pleasure
In the million perfectly-chiseled
Cheeks alighting each moment to melt
My cheeks of basalt. They turned to tears,
Angels weeping over dull natures,

But didn't convince me. Those tears froze.
Each dead head had a visor of ice.
And I slept on like a bent finger.
The first thing I was was sheer air
And the locked drops rising in dew
Limpid as spirits. Many stones lay
Dense and expressionless round about.
I didn't know what to make of it.
I shone, mice-scaled, and unfolded
To pour myself out like a fluid
Among bird feet and the stems of plants.
I wasn't fooled. I knew you at once.

Tree and stone glittered, without shadows.
My finger-length grew lucent as glass.
I started to bud like a March twig:
An arm and a leg, and arm, a leg.
From stone to cloud, so I ascended.
Now I resemble a sort of god
Floating through the air in my soul-shift
Pure as a pane of ice. It's a gift.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Nada como um bom boteco...


Entrei no boteco meio desanimada, confesso. Fim de Carnaval e o estômago doendo.
Cada vez que vou reparo uma coisa nova. Hoje achei uma lista, com cara de escalação, e mais, cara de ser original. Pode ser a escalação para o time infantil-de-alguma-coisa do Garrincha, mas a posição na parede não ajudou e não consegui ler.
Peço a tequila de sempre, que ainda não é servida do jeito que eu gosto, porque o Arlindo ainda não me conhece e não sabe o quanto eu sou chata para essas coisas.
Olho o espetinho de ovo com vina, em conserva, e confesso que a dor de estômago virou enjôo, na hora. Penso que deveria ter ficado em casa.
Mas, é feriado e há séculos eu não ponho o nariz na rua, não vejo as pessoas, não tomo umas.
Agüento corajosamente o mal-estar e, no fim, ele acaba sumindo mesmo.
Penso de onde eu conheço o Edson. Odeio não lembrar das pessoas, onde eu conversei com elas.
É claro que é algo bem freqüente, visto o teor alccólico que embalou minhas conversas na "noite". Não dá prá lembrar de tudo mesmo, talvez nem da metade. Me conformo pensando que muitas coisas são boas de serem esquecidas...
Não sei como, a conversa caiu no Nelson Rodrigues e virou uma discussão sobre alguma coisa que eu não entendi, porque não estava prestando atenção e nem conheço a obra dele. Enquanto o Júlio me explicava que o Russo era fã dele, o mesmo contradizia todo mundo e acabava com qualquer argumento sério da conevrsa, já fazendo uma piada.

Então o Arlindo olha para a gente e começa a explicar: sobre as crônicas esportivas do Nelson, publicadas como "A Sombra das chuteiras imortais" e sobre como ele acaba esquecendo as passagens que gostaria de citar, porque precisa transcrevê-las. Só quando ele liga o vídeo é que eu entendo o que quer dizer.
Começa um programa que eu não sei o nome, narrado pelo Pereio, com o texto do Nelson, falando sobre os grã-finos que foram ao Maracanã e choraram de alegria ao ver o gol do Garrincha.
Não preciso nem dizer que a narração, o texto, as imagens em preto e branco, o boteco, o Arlindo, e os malucos de plantão criaram uma cena única, que há muito eu não via e que só poderia acontecer em um boteco mesmo.
Quem ficou emocionada fui eu, por ver que ainda existe gente sensível e ainda existe espaço para todos os loucos, senão do mundo, pelo menos do meu mundinho.

Saí de lá com medo de cair da motoca, mas com a certeza de que logo terei uma conta no bar, e terei minha tequila servida como gosto...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Sobre o ato de esperar


Esperar:
1. Ter esperança em; contar com
2. Estar ou ficar a espera de; aguardar
3. Supor, presumir, imaginar


Ao esperar, o tempo fica em suspenso e a vida acontece em algum lugar, lá fora, longe do seu alcance. A mente funciona, mas o corpo permanece imóvel, pois a espera não comporta a ação.

Ao esperar, os pensamentos caminham entre devaneios e desejos. A memória funciona como um filme, selecionando lembranças de situações, pessoas, cheiros, músicas, em busca de distração.

Ao esperar, as emoções afloram, pois a exepctativa do que está por vir carrega a esperança de algo positivo aconteça.

Ao esperar, o ser fica sujeito ao inesperado...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

About the world



Hoje posso perceber que já nasci em um mundo em colapso.
E não falo do desencantamento deWeber ou do mal-estar de Freud. Essa angústia da modernidade foi substiuída pela desilusão das guerras do século XX.
Falo do colapso do ser humano, da espécie homo sapiens e toda a sua diversidade.
Nasci na metade da década de 70 e, se tive a alegria de vivenciar minha infância nos ingênuos anos 80, também cresci em meio aos noticiários sobre guerras, assisti a The Day After e morri de medo de que um ataque nucler pudesse realmente acontecer.
Mas morava no Brasil o país do futuro, a grande nação que guardava o pulmão do mundo eque estava prestes a se tornar democrática.
Em 1989 completei 15 anos e comecei a me interessar por política. Nossa primeira eleição direta, com canditados trabalhistas e socialistas. A queda do muro de Berlin, no dia do meu aniversário representou, mais do que o símbolo do fim do comunismo, a vitória da liberdade.
Porque minha grande idéia de vida era lutar contra o fim da opressão, qualquer que fosse a sua natureza.
É claro que nada saiu como imaginava, mas mesmo assim continuei acreditando. Comecei a me interessar mais pela "revolução", pelos movimentos de contestação dos anos 60, a música de protesto, os movimento beat, a guerrilha, essas coisas pelas quais você se interessa quando acha que pode mudar o mundo.
Durante a década de 90, ainda havia muito a ser feito e a ser dito. Ainda se acreditava que havia uma opção à loucura do mundo. Os jovens chegariam ao poder e levariam novas idéias às massas, através da educação. O futuro ainda carregava muitas promessas.

Mas, o futuro chegou. Não troxe a realização de um sonho, apenas o enfrentar da dura realidade. O mercado venceu. A globalização está aí, engolindo a humanidade, reduzindo o homem à uma máquina de consumo que não pensa, que não age.

Estamos todos sentados nas nossas poltronas, assistindo, calmamente, a decadência da civilização, o esgotamento da Terra, que logo não irá fornecer nada além de lixo, poluição, doenças, miséria.

Talvez a hora de se tomar uma atitude já tenha passado e tenhamos simplesmente perdido o bonde da História. Não, não vejo solução. Não vejo como uma minoria que possui alguma consciência da necessidade de reciclar o lixo, de dizer não aos remédios que não resolvem as causas das doenças, que procuram uma vida mais decente no caos da selva urbana podem mudar alguma coisa.

Sim, existem algumas pessoas fazendo coisas positivas, mas a velocidade com que homens e mulheres pacatamente perdem a compaixão e a solidariedade em nome de seu próprio patrimônio, seu próprio bem estar, impedem que essas ações tenham eficácia.


Eu mesma continuo procurando uma tábua de salvação, algo que me traga a esperança de dias melhores. Também me martirizo por não fazer tudo o que gostaria para mudar as coisas.

Quem sabe agora, que me livrei de mim mesma, eu possa tomar uma atitude...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Chave

Em meio às loucuras de começo de ano, quase mandei este blog pelos ares. Mas, como ele sobreviveu, tentarei mantê-lo atualizado, à medida que minhas sandices permitirem.
Porque meu processo de vida é sempre implosivo, e, por mais confessivos que meus escritos sejam, o que habita minha alma permanece encarcerado, esperando o dia em que irá criar asas e ganhar o mundo.

Estou voltando a sonhar (dormindo e acordada), o que é positivo, tanto pelo fato de poder reconhecer algo de meu inconsciente, quanto pelo fato de poder lutar por alguma coisa.
Porque, se perdi meus sonhos pelo caminho, preciso de novos, que me levem à algum lugar.

Há um ano atrás, eu queria aprender a voar. Criar asas, ser leve como as nuvens, levada pelo vento. Em lugar disso, criei uma âncora, que me prendeu em mim mesma, nas 4 paredes da minha incapacidade de lidar com a vida.

Encontrei uma chave velha perdida em algum lugar. Talvez ela abra uma porta, ou uma janela, um espaço que me permita ver o mundo lá fora.

Estarei à espera...

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Fim de ano II


"We don't need no education
We dont need no thought control
No dark sarcasm in the classroom
Teachers leave them kids alone
Hey! Teachers! Leave them kids alone!
All in all it's just another brick in the wall.
All in all you're just another brick in the wall."


Pequenas coisas que permitem que tudo faça sentido...

Nesse final de ano, fui para a terrinha para a temporada de eventos de formatura.
Já é difícil deparar-se com sua sua velha vida, aquela que ainda nem se deu conta de que não é mais sua.
Quando menos esperava, me vi no colégio que em estudei todo o primário, centro de boa parte das minhas memórias de infância.
Lá estava eu, olhando meu sobrinho se formando no Ensino Médio, recém-passado no vestibular; vendo o diretor e o coordenador da escola, ambos de cabelos brancos e me perguntando quando é que esse tele-transportador apareceu, porque eu ainda era aquela menina que conhecia cada canto e cada cheiro, cada pessoa que habitava aquela universo, apenas agora também envelhecida.
Senti que tudo estava fora de lugar, que aquele adolescente enorme e inseguro que acabava de ser chamado para receber seu canudo ainda era o bebê que eu passei noites e noites cuidando, que eu amava como se fosse meu...
Que eu ainda era aquela magrela que queria tudo do mundo, só não sabia como conquistá-lo, que queria ser linda, ter muitos amigos e sumir com aquela angústia que não sabia de onde vinha. Mas que, mesmo assim, tinha uma leveza de vida que a fazia voar...


Mas, me percebi adulta e duas décadas me separavam daquela criança, apesar dela estar comigo o tempo todo.

A temporada de formaturas prosseguiu, e tive a felicidade de ver meus antigos alunos, agora já homens e mulheres, terminando o segundo grau. Além de poder reencontrá-los (muitos são meus amigos até hoje, mas muitos sumiram), tive o retorno de minha experiência como professora. Pude perceber que, para alguns (poucos) deles, eu fiz alguma diferença. Não porque dei aulas geniais e ensinei a história do mundo, mas porque os ensinei algo sobre a vida, sobre ser gente nesse mundo maluco.

Porque aprendi, há muito tempo, que o professor não ensina a matéria. Ela está lá, nos livros, para quem quiser aprender. O professor ensina sobre caráter, sobre enfrentar problemas, sobre lidar com o mundo.
E isso me leva à minha última experiência do ano, como o fechamento de uma semana que me fez repensar minha profissão.
Encontrei meu mestre, aquele cara que fez com que me apaixonasse por História. Tive o privilégio de tomar um café com ele, de discutir sobre os rumos da educação, dos nossos alunos e dos nossos filhos.
Duas coisas foram incríveis nesse encontro. Perceber que ele realmente é um cara fantástico e que ele ficou feliz por eu ter seguido os seus passos.

Agora posso pensar em ser professora de novo...

Fim de ano I





Deixo 2005 com uma quase-alegria e me despeço aliviada.
2004 demorou muito para ir embora e, se 2005 passou muito rápido, mesmo assim, não via a hora que acabasse.
Coisas da vida...

Quando alcanço o que mais desejo, é quando perco o que me é mais importante.
Não há um grande ganho sem uma grande perda. Deve existir alguma lei universal estilo ação e reação que explique esse fenômeno. Tem sido assim há tempos.
Pude constatá-lo pelo com melhor clareza nos últimos anos, com os fatos mais importantes na minha vidinha-meia-boca.

Durante muitos anos, esperei avidamente a virada do 31 para traçar aquelas metas que nunca se concretizavam. Mesmo assim, continuava acreditando que, quem sabe um dia, algo realmente acontecesse.
Quando esse dia chegou, pude abandonar as malfadadas listinhas, à lá supermercado, e só viver.

E aprendi, sutilmente, um novo tipo de vida.

Dos sonhos que me restaram, tive a felicidade-sorte-benção, de realizar alguns. Mas o preço que paguei por cada um deles foi como um membro amputado. A dor de uma parte de si sendo arrancada, e a sensação de que ainda está ali, vivo, latejando.

É assim que eu aprendo, na porrada, quebrando a cara, sofrendo na carne, ou qualquer expressão que defina essa incongruência que é a vida...

Sim, sou uma sobrevivente e continuo aqui.