quarta-feira, 22 de março de 2006

She's a star

Whenever she’s feeling empty
Whenever she’s feeling insecure
Whenever her face is frozen
Unable to fake it anymore
Her shadow is always with her
Her shadow will always keep her small
So frighten that he wont lover her
She builds up a wall

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she’s nowhere to hide in the dark

She’s a star

She’s been in disguise forever
She’s tried to disguise her stellar views
Much brighter than all this static
Now she’s coming through

Oh no, she knows where to hide in the dark
Oh no, she’s nowhere to hide in the dark
She’s a star

Don’t tell her to turn down,
Put on your shades if you can’t see,
Don’t tell her to turn down,
Turn up the flame.
She’s a star

It’s a long road
It’s a great cause
It’s a long road
Its a good call
You got it,
You got it,

She’s a star


James - She’s a star

Pop





“Algumas das minhas canções favoritas: (...) e algumas destas canções eu ouvi cerca de uma vez por semana, em média (300 vezes no 1º mês, e de vez em quando depois disso), desde os 16 ou 19 ou 21 anos de idade. Como é que isso pode não transforma-lo no tipo de pessoa passível de se quebrar em pedacinhos quando seu primeiro amor dá todo errado? O que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Esses discos todos transformam você numa pessoa melancólica?
As pessoas se preocupam com o fato das crianças brincarem com armas e dos adolescentes assistirem a vídeos violentos; temos medo de que assimilem um certo tipo de culto à violência. Ninguém se preocupa com o fato das crianças ouvirem milhares – literalmente milhares – de canções sobre amores perdidos e rejeição e dor e infelicidade e perda. As pessoas afetivamente mais infelizes que conheço são as que mais gostam de música pop; e não sei se foi a música pop que causou tal infelicidade, mas sei que elas vêm ouvindo as canções tristes há mais tempo do que vêm vivendo vidas infelizes.”

Nick Hornby - Alta Fidelidade

terça-feira, 21 de março de 2006

As Kamikazes

Há muito tempo atrás, a Companhia de Atores apresentou essa peça de teatro, chamada "As Kamikazes". É claro que amei o título, mas como não sou muito de teatro, não me interessei. Quando soube do que realmente se tratava, a peça estava em suas últimas apresentações. Perdi, mas ao mesmo tempo o pequeno resumo que li no jornal serviu para que eu visualizasse a peça e a amasse como se a conhecesse de cor. Aliás, muito da minha vida é feito de lembranças de acontecimentos que eu não vivi. Não sei explicar o porque, mas é assim. Eu já conhecia Florbela e Ana C., mas não Sylvia e Alejandra. E esta era uma peça sobre essas fantásticas poetisas suicidas, e acabou sendo responsável pela minha paixão por cada uma delas.



A MINHA TRAGÉDIA
FLORBELA ESPANCA

Tenho ódio à luz e raiva à claridade
Do sol, alegre, quente, na subida.
Parece que a minh'alma é perseguida
Por um carrasco cheio de maldade!

Ó minha vã, inútil mocidade
Trazes-me embriagada, entontecida!...
Duns beijos que me deste, noutra vida,
Trago em meus lábios roxos a saudade!...

Eu não gosto do sol, eu tenho medo
Que me leiam nos olhos o segredo
De não amar ninguém, de ser assim!

Gosto da noite imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!...

LUVAS DE PELICA
ANA CRISTINA CÉSAR
Estou muito compenetrada no meu pânico.
Lá de dentro tomando medidas preventivas.
Minha filha, lê isso aqui quando você tiver perdido as esperanças como hoje. Você é meu
único tesouro. Você morde e grita e não me deixa em paz mas você é meu único tesouro.
Então escuta só; toma esse xarope, deita no meu colo, e descansa aqui; dorme que eu cuido
de você e não me assusto; dorme, dorme.
Eu sou grande, fico acordada até mais tarde.
NOCHE
ALEJANDRA PIZARNICK

Tal vez esta noche no es noche,
debe ser un sol horrendo, o
lo otro, o cualquier cosa...
¡Qué sé yo! Faltan palabras,
falta candor, falta poesia
cuando la sangre llora y llora!

¡Pudiera ser tan feliz esta noche!
Si sólo me fuera dado palpar
las sombras, oír pasos,
decir "buenas noches" a cualquiera
que pasease a su perro,
miraría la luna, dijera su
extraña lactescencia tropezaría
con piedras al azar, como se hace.

Pero hay algo que rompe la piel,
una ciega fúria
que corre por mis venas.
¡Quiero salir! Cancerbero del alma
¡Deja, déjame transpasar tu sonrisa!

¡Pudiera ser tan feliz esta noche!
Aún quedan ensueños rezagados.
¡Y tantos libros! ¡Y tantas luces!

¡Y mis pocos años! ¿Por qué no?
La muerte esta lejana. NO me mira.
¡Tanta vida Señor!

¿Para qué tanta vida?

LOVE LETTER
SYLVIA PLATH

Not easy to state the change you made.
If I'm alive now, then I was dead,
Though, like a stone, unbothered by it,
Staying put according to habit.
You didn't just tow me an inch, no—
Nor leave me to set my small bald eye
Skyward again, without hope, of course,
Of apprehending blueness, or stars.

That wasn't it. I slept, say: a snake
Masked among black rocks as a black rock
In the white hiatus of winter—
Like my neighbors, taking no pleasure
In the million perfectly-chiseled
Cheeks alighting each moment to melt
My cheeks of basalt. They turned to tears,
Angels weeping over dull natures,

But didn't convince me. Those tears froze.
Each dead head had a visor of ice.
And I slept on like a bent finger.
The first thing I was was sheer air
And the locked drops rising in dew
Limpid as spirits. Many stones lay
Dense and expressionless round about.
I didn't know what to make of it.
I shone, mice-scaled, and unfolded
To pour myself out like a fluid
Among bird feet and the stems of plants.
I wasn't fooled. I knew you at once.

Tree and stone glittered, without shadows.
My finger-length grew lucent as glass.
I started to bud like a March twig:
An arm and a leg, and arm, a leg.
From stone to cloud, so I ascended.
Now I resemble a sort of god
Floating through the air in my soul-shift
Pure as a pane of ice. It's a gift.

quinta-feira, 9 de março de 2006

Nada como um bom boteco...


Entrei no boteco meio desanimada, confesso. Fim de Carnaval e o estômago doendo.
Cada vez que vou reparo uma coisa nova. Hoje achei uma lista, com cara de escalação, e mais, cara de ser original. Pode ser a escalação para o time infantil-de-alguma-coisa do Garrincha, mas a posição na parede não ajudou e não consegui ler.
Peço a tequila de sempre, que ainda não é servida do jeito que eu gosto, porque o Arlindo ainda não me conhece e não sabe o quanto eu sou chata para essas coisas.
Olho o espetinho de ovo com vina, em conserva, e confesso que a dor de estômago virou enjôo, na hora. Penso que deveria ter ficado em casa.
Mas, é feriado e há séculos eu não ponho o nariz na rua, não vejo as pessoas, não tomo umas.
Agüento corajosamente o mal-estar e, no fim, ele acaba sumindo mesmo.
Penso de onde eu conheço o Edson. Odeio não lembrar das pessoas, onde eu conversei com elas.
É claro que é algo bem freqüente, visto o teor alccólico que embalou minhas conversas na "noite". Não dá prá lembrar de tudo mesmo, talvez nem da metade. Me conformo pensando que muitas coisas são boas de serem esquecidas...
Não sei como, a conversa caiu no Nelson Rodrigues e virou uma discussão sobre alguma coisa que eu não entendi, porque não estava prestando atenção e nem conheço a obra dele. Enquanto o Júlio me explicava que o Russo era fã dele, o mesmo contradizia todo mundo e acabava com qualquer argumento sério da conevrsa, já fazendo uma piada.

Então o Arlindo olha para a gente e começa a explicar: sobre as crônicas esportivas do Nelson, publicadas como "A Sombra das chuteiras imortais" e sobre como ele acaba esquecendo as passagens que gostaria de citar, porque precisa transcrevê-las. Só quando ele liga o vídeo é que eu entendo o que quer dizer.
Começa um programa que eu não sei o nome, narrado pelo Pereio, com o texto do Nelson, falando sobre os grã-finos que foram ao Maracanã e choraram de alegria ao ver o gol do Garrincha.
Não preciso nem dizer que a narração, o texto, as imagens em preto e branco, o boteco, o Arlindo, e os malucos de plantão criaram uma cena única, que há muito eu não via e que só poderia acontecer em um boteco mesmo.
Quem ficou emocionada fui eu, por ver que ainda existe gente sensível e ainda existe espaço para todos os loucos, senão do mundo, pelo menos do meu mundinho.

Saí de lá com medo de cair da motoca, mas com a certeza de que logo terei uma conta no bar, e terei minha tequila servida como gosto...