segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Pele de búfalo

Iansã, deusa do vento iorubá, desfruta seus momentos de liberdade correndo pelos campos africanos, vestida de búfalo.

Ogum, desejando-a, rouba-lhe a pele e promete devolvê-la, desde que ela o despose.


Durante as bodas, ouve-se:


- Ogum deveria destruir essa pele maldita! - disse alguém - Como é que ele vai ter sossego com uma esposa que sai todo dia a galopar feito louca pelos campos floridos e verdejantes da África?








Obs: para saber mais, leia "As melhores histórias da mitologia africana" A.S. Franchini e Carmen Seganfredo

Feliz Aniversário

Criei este blog na tentativa de juntar meus pedaços, meus lados que eu insisto em esconder do mundo e, na maioria das vezes, de mim mesma.
Está um pouco abandonado, mas é por uma boa razão... O autoconhecimento é um processo lento, há que ter paciência. Estou gestando a mim mesma e confesso que não tenho bem ideia de como fazê-lo. 
Faço como sempre fiz tudo: fazendo...
Redundante, né? Mas descobri que a simplicidade da vida reside no óbvio e ululante, nas hipérboles e redundâncias.
Nunca houve nenhum roteiro pronto para mim, ninguém em quem eu pudesse me espelhar, um caminho já traçado. Muitas vezes esperei que alguém me dissesse o que fazer. Pensei: se eu fizer como a fulana, talvez dê certo. Não deu.


Por isso a vida toda tive que encontrar meu espaço, minha trilha, minha rota. 
É claro que não foi tão bonitinho assim... Um redemoinho, me carregando de roldão pela vida afora. Mas esse é o meu caminho e eu tenho um super orgulho dele. Tenho muito orgulho das minhas escolhas, até das mais desastrosas, porque foram minha forma de procurar meu próprio espaço.


Se conquistei alguma coisa, foi minha autonomia. Não espero e nem dependo que alguém me diga como viver, que estrada seguir, o que é certo e o que é errado. Faço minhas próprias escolhas. Já sou capaz de olhar à minha volta e afirmar: isso é o que eu quero para mim, para minha família, meu universo...


O fato de conseguir bancar minhas ações me permite inclusive olhar para o mundo lá fora e pensar: e eu seu fizesse alguma coisa para ajudar? 


Não, eu não vou mudar o mundo. Mas eu sei que se eu realmente batalhar para isso, posso torná-lo um pouco melhor. 


É o que eu faço todos os dias, quando explico para o meu filho porque ele não pode fazer tudo o que quer. Quando insisto no discurso crítico com os meus alunos, apesar de saber que apenas um entre muitos está ouvindo.


Não se engane, essa é a fala de alguém que diariamente batalha contra a força de ser igual. Não é um discurso de pedantismo, do tipo só eu estou certa.
É o desabafo de uma mulher que tem sido constantemente taxada de todos os termos pejorativos possíveis.


Esses dias estava comentando como é difícil para mim, nessa fase zen que estou vivendo, ter que me preocupar com batalhas que não são as minhas. E ouvi uma resposta chocada: nossa, isso é o seu zen?...


Pois é, esse é o meu zen, em paz comigo, desligando o modo control-freak.


Radical? Não, apenas firme nas minhas convicções. Eu realmente acredito na minha vida, e luto por ela...


Ahhh, e para os curiosos, eu tenho dois aniversários. Não é o máximo?