domingo, 25 de novembro de 2012

Violência Obstétrica


No dia Internacional de Luta pelo Fim da Violência contra  a Mulher, vamos falar sobre a Violência Obstétrica:
Entender que o direito ao parto, com respeito e autonomia, é fundamental para a mulher grávida é um primeiro passo no combate à violência obstétrica.
O trauma do parto/cesárea mal conduzido deixa marcas físicas e emocionais que transformam o momento maravilhoso do nascimento de um filho em uma sequela insuperável.
É necessário construir um movimento forte que inclua não só as gestantes, mas o poder público e profissionais de saúde, para que esse tipo de violência deixe de existir.

Não deixe de ver o vídeo. Os depoimentos são fortes e emocionantes, mas é preciso dar voz a essas mulheres.


VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - A voz das brasileiras

sábado, 15 de setembro de 2012

Mamãe está mudando o mundo

Difícil lidar com a vontade de mudar o mundo. Essa eterna sensação de não se conformar com as desigualdades, opressões e explorações que estão presentes em nossas vidas todos os dias.
Ainda mais nesta fase, beirando os quarenta, com filhos, casa e uma carreira capenga pra cuidar. É claro que tenho que abrir mão de muitas coisas para conciliar tudo isso, principalmente por optar pela maternidade ativa. 

Às vezes me sinto ultrapassada, como se devesse deixar para galera mais jovem a missão de lutar por mim. Mas essa não é a minha natureza. Minha insatisfação e indignação não se abrandam com uma casa maior, uma roupa mais bonita, um sapato ou uma bolsa.



Então, mesmo sem saber bem onde vou chegar, vou levando minha "causa" em frente.  Tenho um companheiro feminista, que me respeita, me apoia e luta comigo. Tenho amigxs de militância maravilhosxs, que me ajudam a perceber meus próprios privilégios e preconceitos. Tenho alunxs incríveis que me acompanham nessa jornada e todos os dias conheço alguém que me ensina um pouco mais sobre como podemos tentar ser melhores.


Hoje passei a manhã inteira debatendo o machismo e a opressão sofrida pela mulher na sociedade capitalista. Passei o almoço conversando com o Júlio sobre a nossa própria matriz de privilégios e tudo o que envolve as escolhas que fazemos.


Quando cheguei em casa, recebi via facebook esta foto, da Priscila, dizendo: lembrei de você.






Então é isso: quando eu privilegio a luta, eu ensino aos meus filhos que a família é muito mais do que a mãe carregando o mundo. Eu ensino que o pai pode protagonizar a educação e o cuidado, que a criação dos filhos é responsabilidade do casal. Que uma relação afetiva se constrói no respeito e que, sim, uma mãe militante não está deixando de educá-los, mas está contribuindo com a educação de todxs. 

Obrigada, Priscila, por me fazer perceber que, mesmo com todas dúvidas do mundo, estou conseguindo reverberar a transformação.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Todo o amor que houver nessa vida


Passaram-se dez anos daquela noite louca.
O cara mais interessante da noite, com seu casaco adidas e a piada interna "acho que já fiquei com ele".
Dois bares, muitos, mas muitos drinks. 
"Pois é, sou milica e moro com a Gilce e o Fernando, que é o padrinho do meu filho..."
Só pra avisar, né?

"Ah, essa eu tenho que dançar!!!!"

O beijo mais longo da história. O primeiro de muitos, longos e maravilhosos.




E agora?
Passou no teste da barraca, da festa com os amigos...
Dia dos namorados, presentinhos surpresas, o chuveiro mais descolado...
Muitas roupas no armário. Briga, as roupas vão embora, sem nem um bilhetinho. E o colchão não cabe no carro.
Volta e vem com o PC. Agora, sim, é pra valer.
Lua de mel, trabalho, festa...
Um  filho pra criar: e os ciúmes? A conquista se faz no todo dia. E a família nasce do amor.
Essa família tão estranha.

Vou pro Rio - Eu não vou.
Voltei - Vamos?
Vamos.
45m² - felizes e furiosos

Mais uma mudança, mais uma casa, mais uma escola.
Mais uma mudança, mais uma casa, outra vida.

Outro filho, "feito em casa".

Amor, confiança e respeito. Nem sempre nessa ordem e nem sempre todo o dia.
Mas quando importa, quando precisa.
Tem espaço pra cada um e pra todo mundo.
E nada de sexo protocolar.

Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém imaginou que o difícil seria tão gostoso.
Porque amar é isso, é dar espaço pra tudo que vem do outro, junto com o que é seu.
"Nós é muita gente", mas o nosso nós é um universo inteiro.

Agora, estamos assim, 3.650 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos depois:
Um Júlio, uma Máira, um Ian, um Tom, uma Mimi, uma Kombi, um terreno, um projeto.

Punk rock, feminismo, escotismo, vegetarianismo, low-fi.

Comemoramos todos os dias a vida incrível que construímos. É boa porque é nossa e porque nela tem espaço pra tudo o que nos é mais importante.

E eu sou tão feliz, mas tão feliz, que ainda fui presenteada com a oportunidade de extravasar meu eu mais "eu" em comemoração às nossas bodas.





sábado, 12 de maio de 2012

Maternagem



Falar sobre o dia das mães é sempre complicado, muito clichê e pouca reflexão...

Mas vou cá dar os meu pitacos sobre o tema também. 

Sinto muita falta da minha mãe, que morreu de câncer em 2005. Morte sofrida, dolorosa, levou um pouco de cada um de nós que ficamos por aqui. 


Minha mãe não era uma santa, nem uma super-mulher nem nenhum desses adjetivos que costuma-se usar para caracterizar a figura genitora. 

Era uma mulher normal (seja lá o que isso for) que trilhou o seu caminho de erros e acertos com muita dignidade. Se devo a ela a minha vida, obviamente porque ela me gestou, devo também porque ela optou por não desistir de mim.

Isso significa que, mesmo não me entendendo e não me aceitando, ela deixou a maternidade conduzir nossa relação. Esta sempre foi um combate, mas as batalhas que travamos  nos tornaram mais fortes e, por incrível que pareça, mais unidas. 


Foi apenas quando me tornei mãe que passamos a nos compreender um pouco mais. Entendemos as escolhas que fizemos (ela como mãe e eu como mulher) e nos respeitamos. No final, nos tornamos verdadeiramente companheiras e amigas.



Hoje a maternidade em minha vida é a minha própria, cheia de muitas dúvidas e algumas poucas certezas. Já escrevi por aqui que não carrego culpas, apesar de ter bastante medo. Também já escrevi que é fácil amar um filho que te obedece e que é uma continuidade sua (seja porque se parece com você ou porque é como você gostaria que fosse).


Difícil é amar um filho quando ele faz escolhas com as quais você não concorda, quando sua presença não é mais predominante, quando ele se torna um indivíduo com personalidade e vontades totalmente independentes da sua. Esse sim é o amor maior, incondicional.


Eu não sou uma super-mãe, não sou a melhor mãe do mundo. Sou humana, bem humana, e cometo muitos erros. Mas, assim como a minha mãe não desistiu de mim, não desisto das escolhas que faço (não enquanto ainda são válidas). Confio muito na maneira de maternar que escolhi e que vivencio em todas as instâncias da minha vida. 


E confio, sim, na maternidade ativa e consciente.





segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia Internacional contra a Culpabilização da Vítima







03/04/2011 - O mundo inteiro assistiu, atônito, um grupo de pessoas (mulheres, em sua maioria) sair às ruas sob o nome de Slutwalk
A marcha contra a culpabilização da mulher nos casos de violência sexual espalhou-se pelo mundo ao longo do ano e tornou-se um movimento de conscientização: "Meu corpo não é um convite ao estupro".


Agora, em 2012, o movimento internacional SLUTWALK está criando o "Dia Internacional pelo fim da culpabilização".
Em comemoração à data da primeira marcha, mulheres do mundo todo estão sendo convocadas a participar da ação de conscientização: a culpa da agressão sexual é SEMPRE do agressor.


Leia abaixo uma tradução livre do texto das Slutwalkers de Toronto:


"Em 03 de abril de 2011 aconteceu a primeira Slutwalk, em Toronto, Canadá. Inspiradas e influenciadas pelo poderoso esforço antiviolência criado antes de nós, Slutwalk decidiu lutar contra a culpabilização da vítima enquanto uma experiência difundida de violência sexual. Tudo começou em Toronto, mas a mensagem contra a culpabilização espalhou-se rapidamente por cidades e comunidades do mundo todo. Todxs queremos ver o fim da culpabilização da vítima. 
No ano passado nós presenciamos inciativas coletivas incríveis lutando pelo respeito e suporte a todxs xs sobreviventes da violência sexual. Em reconhecimento a esses esforços e a muitas outras ações em curso, nós definimos o dia 03 de abril de2012 como o I Dia Internacional contra a Culpabilização da Vítima.


Nós convidamos a todxs a unirem-se em um dia de ação: organize debates, oficinas, torne pública a sua luta pelo fim da violência. Junte-se a nós na missão de conscientizar o mundo de que quem sofreu violência sexual NUNCA é x culpadx."

quinta-feira, 1 de março de 2012

Será que precisamos mesmo lutar?


Pior do que isso, o que escutamos hoje é: "A culpa é das feministas, que queimaram o sutiã e agora eu tenho que trabalhar e cuidar dos filhos."
Esquecem que antigamente a mulher ela considerada "propriedade" do homem (pai ou marido). Não tinha autonomia para decidir nada em sua vida, se poderia estudar ou viajar, qu
Hoje damos início ao Mês da Mulher. 
Em todo o mundo estão sendo planejados eventos, debates, comemorações e homenagens, centralizados no dia 08, o "Dia Internacional da Mulher".
Essa data marca a luta histórica das mulheres pela igualdade, mas também marca a urgência do resgate desta luta.

Estamos muito longe de podermos considerar nossa causa como esgotada.

Se o feminismo conseguiu vitórias importantes em termos de equidade, sofre hoje a ameaça do descrédito e da desqualificação.

Muitas mulheres enchem o peito para afirmar que são "femininas" e não "feministas", como se apropriar-se da causa feminista significasse imediatamente abandonar o gênero feminino e adentrar ao mundo subjetivo do não-mulher.

Acho esse pensamento muito perigoso, pois reproduz um discurso opressor e banaliza o movimento de emancipação da mulher.

antos filhos teria, se lavaria ou não a louça...
É fácil emitir esse tipo de fala quando se é livre para ir e vir...


O que muitas mulheres não conseguem perceber é que, enquanto reclamam que "têm" que trabalhar, há um universo de mulheres que não tem poder sobre suas próprias vidas.


Continuamos sendo tratadas como bruxas, vadias, fracas, objetos... Continuamos perpetuando comportamentos negativos e o que é pior, criticando o processo de empoderamento daquelas que batalham para se libertar.


Então, a resposta deste post é: sim, precisamos lutar muito ainda...


Vem pra luta também!


Conheça um pouco do feminismo contemporâneo, você vai se surpreender
.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Amigos e Amigas



Normalmente meus posts são concebidos lentamente, levam meses muitas vezes.
Mas este está sendo escrito no impulso e é bem curtinho.


Sempre fui uma pessoa de poucos amigos. Desde a infância. Pode ser reserva, personalidade, chatice...
Falta de confiança. 
Mas as amizades que tenho são sinceras e honestas.


Dos amigos que conservo hoje (de todos os gêneros e orientações) a maioria já está presente na minha vida há mais de 20 anos. Muitos moram em outras cidades, ou até em outro país. Mas são meus irmãos e irmãs de alma, aqueles que permanecem compartilhando uma existência em todos os sentidos.
Muitos tornaram-se amigos por acaso, quase que acidentalmente. 
Muitos foram amigos constantes, daqueles de ficar horas ao telefone. 
Outros foram amigos distantes, daqueles que, em uma tarde de conversa, sente-se como se estivéssemos juntos uma vida toda.


Somos todos almas solitárias que às vezes nos fazemos companhia.
Obrigada a todas essas pessoas incríveis que me presenteiam, todos os dias, com um outro olhar sobre mim mesma e com uma nova vivência de amizade.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O ano do fim do mundo

2012, segundo o calendário maia, é o ano da grande mudança. Para alguns, o fim do mundo, para outros, a transcendência.
E é incrível poder sair do "eu" e chegar ao "nós".
Quando isso acontece é porque conseguimos superar nossas questões individuais para chegar ao coletivo.
Aos poucos temos conseguido alcançar as pessoas. Não a imensa maioria, mas aqueles que realmente estão prontos para repensar a vida em sociedade e o papel de cada um.
A cada dia temos novas experiências e aprendizados na prática de levar a ideia da não-violência às pessoas.

É um trabalho de formiguinha, sabemos disso, mas estamos prontxs.Mas enquanto dezembro não chega temos muito trabalho a fazer.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Balanço geral

Este post deveria ter saído no final do ano, mas com a loucura do final de semestre, mudança de casa e crises existenciais só saiu agora.
O ano de 2011 foi muito difícil, penoso e turbulento. 
Mas foi um grande ano!
Iniciei o ano absolutamente desapontada com minha vida profissional, frustrada mesmo, buscando uma saída para o fato de estar exercendo uma função burocrática e de estar longe da minha tão amada História.
A frustração transformou-se em desespero quando tive que largar minha curta experiência no estado, priorizando o emprego que paga as contas. 
Mas, surpresa minha, foi esse empreguinho que possibilitou a grande guinada de 2011.
Se você não me conhece não sabe que a criação do blog foi resultado dessa mudança (somada à muitas horas no divã). Você pode ler aqui essa história.
Enfim, um Mamaço e uma Marcha das Vadias depois, tudo mudou.
Criei, em parceria com 3 colegas de trabalho, um grupo de pesquisa sobre Movimentos Antimainstream. 
Cibercultura, mobilizações online, ativismo e ciberativismo... Movimentos sociais, marchas e ocupações.
Tudo isso fez parte do meu 2011.
Lidar com a família, organizar minhas prioridades, exercer a maternidade consciente, encontrar o espaço para o ativismo e o feminismo dentro do meu casamento. Batalha diária essa, viu?
Enfrentar o conservadorismo elitista, sexista e homofóbico de amigos e familiares também foi difícil. 
Mais difícil ainda foi encarar a violência e desrespeito dentro do próprio movimento que ajudei a criar.
Lidar com minha própria ingenuidade, impor limites, saber a hora de tirar o time de campo.
É, 2011 não foi fácil. Mesmo.
Mas foi um ano incrível. 
Para os inconformados 2011 foi o ano em que a internet mostrou todo o seu potencial libertário.
A palavra que regeu meu 2011 foi EMPODERAMENTO.


Ainda não posso me afastar dela, porque o processo de empoderamento envolve mudar padrões, internos e externos, muito arraigados.


Para 2012 (que já começou bombando) quero trabalhar minha capacidade de NÃO JULGAR.


E que venha o fim do mundo, porque a galera do barraco tá pronta pro fervo!!!