quinta-feira, 24 de maio de 2012

Todo o amor que houver nessa vida


Passaram-se dez anos daquela noite louca.
O cara mais interessante da noite, com seu casaco adidas e a piada interna "acho que já fiquei com ele".
Dois bares, muitos, mas muitos drinks. 
"Pois é, sou milica e moro com a Gilce e o Fernando, que é o padrinho do meu filho..."
Só pra avisar, né?

"Ah, essa eu tenho que dançar!!!!"

O beijo mais longo da história. O primeiro de muitos, longos e maravilhosos.




E agora?
Passou no teste da barraca, da festa com os amigos...
Dia dos namorados, presentinhos surpresas, o chuveiro mais descolado...
Muitas roupas no armário. Briga, as roupas vão embora, sem nem um bilhetinho. E o colchão não cabe no carro.
Volta e vem com o PC. Agora, sim, é pra valer.
Lua de mel, trabalho, festa...
Um  filho pra criar: e os ciúmes? A conquista se faz no todo dia. E a família nasce do amor.
Essa família tão estranha.

Vou pro Rio - Eu não vou.
Voltei - Vamos?
Vamos.
45m² - felizes e furiosos

Mais uma mudança, mais uma casa, mais uma escola.
Mais uma mudança, mais uma casa, outra vida.

Outro filho, "feito em casa".

Amor, confiança e respeito. Nem sempre nessa ordem e nem sempre todo o dia.
Mas quando importa, quando precisa.
Tem espaço pra cada um e pra todo mundo.
E nada de sexo protocolar.

Ninguém disse que seria fácil, mas ninguém imaginou que o difícil seria tão gostoso.
Porque amar é isso, é dar espaço pra tudo que vem do outro, junto com o que é seu.
"Nós é muita gente", mas o nosso nós é um universo inteiro.

Agora, estamos assim, 3.650 dias, 8.760 horas, 525.600 minutos depois:
Um Júlio, uma Máira, um Ian, um Tom, uma Mimi, uma Kombi, um terreno, um projeto.

Punk rock, feminismo, escotismo, vegetarianismo, low-fi.

Comemoramos todos os dias a vida incrível que construímos. É boa porque é nossa e porque nela tem espaço pra tudo o que nos é mais importante.

E eu sou tão feliz, mas tão feliz, que ainda fui presenteada com a oportunidade de extravasar meu eu mais "eu" em comemoração às nossas bodas.





sábado, 12 de maio de 2012

Maternagem



Falar sobre o dia das mães é sempre complicado, muito clichê e pouca reflexão...

Mas vou cá dar os meu pitacos sobre o tema também. 

Sinto muita falta da minha mãe, que morreu de câncer em 2005. Morte sofrida, dolorosa, levou um pouco de cada um de nós que ficamos por aqui. 


Minha mãe não era uma santa, nem uma super-mulher nem nenhum desses adjetivos que costuma-se usar para caracterizar a figura genitora. 

Era uma mulher normal (seja lá o que isso for) que trilhou o seu caminho de erros e acertos com muita dignidade. Se devo a ela a minha vida, obviamente porque ela me gestou, devo também porque ela optou por não desistir de mim.

Isso significa que, mesmo não me entendendo e não me aceitando, ela deixou a maternidade conduzir nossa relação. Esta sempre foi um combate, mas as batalhas que travamos  nos tornaram mais fortes e, por incrível que pareça, mais unidas. 


Foi apenas quando me tornei mãe que passamos a nos compreender um pouco mais. Entendemos as escolhas que fizemos (ela como mãe e eu como mulher) e nos respeitamos. No final, nos tornamos verdadeiramente companheiras e amigas.



Hoje a maternidade em minha vida é a minha própria, cheia de muitas dúvidas e algumas poucas certezas. Já escrevi por aqui que não carrego culpas, apesar de ter bastante medo. Também já escrevi que é fácil amar um filho que te obedece e que é uma continuidade sua (seja porque se parece com você ou porque é como você gostaria que fosse).


Difícil é amar um filho quando ele faz escolhas com as quais você não concorda, quando sua presença não é mais predominante, quando ele se torna um indivíduo com personalidade e vontades totalmente independentes da sua. Esse sim é o amor maior, incondicional.


Eu não sou uma super-mãe, não sou a melhor mãe do mundo. Sou humana, bem humana, e cometo muitos erros. Mas, assim como a minha mãe não desistiu de mim, não desisto das escolhas que faço (não enquanto ainda são válidas). Confio muito na maneira de maternar que escolhi e que vivencio em todas as instâncias da minha vida. 


E confio, sim, na maternidade ativa e consciente.