Sobre os meus lados







Marcha das Vadias de Curitiba - 2011






Difícil ser mulher. Opressor. 
Durante muito tempo quis ser homem. De andrógena à porra-louca passei meus anos de juventude.
Tornei-me mãe aos 25 anos de idade. Mãe solteira.
A maternidade me deu uma nova chance de ser gente.
Depois de me tornar mãe, pude finalmente me tornar mulher.
Hoje, sou assim. 
Sou Mãe, com M maiúsculo. Pratico a maternidade ativa e tenho muitas dúvidas.
Tenho muito medo também.
Só não tenho culpa... Dessa eu faço exercícios diários de libertação.
Tenho dois filhos lindos e saudáveis. 
Estou construindo uma família diferente, diferente do "normal".
Quero para nós um mundo livre.
Tenho um companheiro incrível, ser humano dotado de amorosidade e paciência inacreditáveis.
Depois de velha virei feminista. Assumi minha militância enrustida por uma vida de repressão.
Professora, militante, ativista...
Quero mudar o mundo.
Sou só isso. Sou tudo isso. E muito mais.
Não me entrego, não me rendo.


Minha mãe sempre me perguntou: você acha que o mundo inteiro está errado e só você está certa?


Acho.